quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


Historiquices de Março

Irmãs Brönte


Em Março e para uma mudança de andamento vamos focar nas Irmãs Brönte: Charlotte, Emily e Anne.

São das mulheres mais influentes na literatura e no entanto, tão pouco de sabe delas. Charlotte ainda teve tempo para se misturar em sociedade com escritores como Elizabeth Gaskell, William M. Thackeray entre outros, mas na realidade não há muitos registos das vidas delas. Sabe-se que todas, à vez, foram governantas ou professoras, mas que devido ás suas saúdes delicadas, acabaram todas por regressar a casa do pai, já idoso.
Desde novas que escreviam e junto com o seu irmão Branwell criaram sagas de fantasia que se passavam em mundos imaginários, mas sempre escreveram sob pseudónimos pois, nesse tempo - época Vitoriana - raras eram as mulheres que poderiam apunhar o seu nome verdadeiro nas obras que escreviam. Morreram novas e sem deixar descendência, sendo que apenas Charlotte casou.
Muitos dos temas desenvolvidos nas suas obras têm inspiração e foram beber ás suas vidas de governantas: a escola de Lowood, descrita em Jane Eyre é uma descrição do colégio de Cowan Bridge, sem condições e onde a saúde delas ficou irremediavelmente afetada, sendo que as 2 irmãs mais velhas morreram com 1 mês de intervalo. Agnes Grey e O Professor retratam experiências em colégios privados na Bélgica, onde elas também lecionaram.

Seguem-se algumas recomendações de leitura e visionamento sobre estas extraordinárias mulheres.




Filme Jane Eyre 2011

Filme Jane Eyre 1997

Filme Jane Eyre 1996

Filme Jane Eyre 1944

Filme Monte dos Vendavais 2012

Filme Monte dos Vendavais 2009

Filme Monte dos Vendavais 1992

Filme Monte dos Vendavais 2016

Filme Monte dos Vendavais 1939

Mini-série A Inquilina de Wildfell Hall

Série To Walk Invisible

Filme biográfico As Irmãs Brönte

Kisses da vossa Geek

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Vamos Geekar com Séries #4

Orgulho e Preconceito

Meus geeks, no inico desta rúbrica disse que tinha uma série que é a minha nº1. E é esta.
Desde que vi, no distante ano de 1995, na BBC, que na altura ainda fazia parte dos canais disponibilizados na grelha da Cabovisão, que se tem mantido nesse topo, contra tudo e contra todos, leia-se contra todas as séries que entretanto vi.
Já assisti certamente mais de 10 vezes back to back e continuo a achar uma produção de tal qualidade, que nem o facto de ter mais de 20 anos lhe retira qualquer grama dessa "qualidade BBC", expressão que utilizo para designar a qualidade de interpretações, cenário, diálogos, guarda-roupa.

É uma das adaptações mais fieis ao livro homónimo de Jane Austen, com toda a fleuma british e com toda a crítica de sociedade inerente, que a autora nos habituou. Neste caso, como noutros, critica-se a hipocrísia, os casamentos de conveniência, a vida no campo, as pequenas rivalidades entre famílias, a arrogância de nobres e a ainda maior arrogância dos novos-ricos. Tudo é criticado e criticável.

Com filmagens em sítios esplendorosos e com uma guarda-roupa totalmente adaptado á época, com comportamentos também totalmente intrínsecos ao período retratado Orgulho e Preconceito é um sonho de ver.

Lizzie Bennet é a mais inteligente e reacionária de 5 irmãs. Temos a doce Jane, a irmã do meio Mary, pretensa intelectual e as manas mais novas Kitty e Lydia, cabecinhas de vento que apenas pensam em bailes, namoricos e vestidos.


Os pais, Mr e Mrs Bennet são o retrato vivo de um casamento de conveniência: ela, que era uma beldade na sua juventude, revelou-se uma pessoa oca e fútil, muito desprezada e gozada pelo sarcástico Mr Bennet, que sempre que pode está na sua biblioteca a ler e a fazer as suas contas, longe do rebuliço em que a sua esposa normalmente mergulha a casa.

À Mrs Bennett interessa apenas uma coisa: casar as suas filhas o melhor possível e nesse caso, ela é uma mãe infatigável, mas que dentro da sua loucura e ás vezes desbocamento, defende as filhas até á última. Só quer o melhor para elas, embora isso a nós, agora, nos pareça exagerado e ridículo e até ligeiramente anti-feminista.

Tudo começa com a chegada de novos vizinhos - ricos - á grande casa de Netherfield e do facto de Mr. Bingley, o novo vizinho em perspetiva, ser solteiro, sendo portanto um chamariz para todas as meninas solteiras da zona.

Vem acompanhado das suas irmãs, Mrs Hurst, casada com um fleumático Mr. Hurst, de Caroline ainda solteira e do seu grande amigo de infância, o arrogante e anti-social Mr. Darcy, cuja fortuna pessoal é bem maior que a dos Bingleys.

As ocasiões sociais da altura são os bailes, quer nas assembleias, embora não muito prestigiantes, pois qualquer um que pudesse pagar a entrada podia ir dançar - ou seja o Lord podia dançar com a filha do talhante.

Os bailes que eram mais prestigiantes eram os dados em casa de quem os pudesse e quisesse organizar e para o caso, Mr. Bingley organiza um em honra de Jane, por quem se apaixonou à primeira vista, no baile da assembleia.

Mas há forças que querem contrariar o que se adivinha que pode acontecer, nomeadamente da parte das irmãs, que querem que o irmão faça um casamento vantajoso do ponto de vista financeiro e para isso, Jane Bennet não é um bom partido. Além de não ter praticamente fortuna pessoal, tem uma mãe tão inconveniente que a põe sempre em sarilhos.

Aliás, segundo as leis praticadas na altura, uma vez que os Bennets apenas tinham filhas, quando o pai morresse, a propriedade e rendas deles passariam para o herdeiro masculino mais próximo, o subserviente Mr. Collins, pároco determinado a não incorrer na ira da sua patrona,  Lady Catherine de Burgh.


As interpretações são excelentes e pelo que li, foi a estreia de Colin Firth no écran, ele que era apenas ator de teatro até esta altura. E esteve quase para não aceitar o papel, pois não queria ser conhecido "apenas" com Fitzwilliam Darcy. Mas sem dúvida que este papel lhe valeu a sua ascensão a Hollywood e consequente reconhecimento.
Jenniffer Ehle é, para mim, a personificação da Lizzie Bennet que aparece no livro. Com uma beleza fora do convencional para a época, mas bonita ainda assim. De língua afiadíssima e de julgamento rápido, que quase a desgraçou com o Mr. Whickham, de falinhas mansas e muito inteligente a manobrar a opinião dos outros.

Com um ritmo rápido e alucinante - está sempre a acontecer novidades a todos os momentos - estes 6 episódios exploram bem todo o universo que Jane Austen tão bem conhecia e que descreveu em todos os seus livros. A fidalguia rural, que tinha a sua hierarquia própria, os podres e segredos de vilas pequenas, a invasão iminente de Napoleão, o jogo dos casamentos...enfim, toda uma galeria de personagens que representam estereótipos, observados pela autora no seu dia-a-dia, que ela passou para uma historia inesquecível e bem urdida e que, de romantismo tem muito pouco, a meu ver, ao contrário do que é sugerido. Tem muito mais a ver com racionalidade, jogos de aparências e de algum sentimento, mas não demasiado - afinal, são todos muito british!

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Opinião

O Rouxinol



Li O Rouxinol para uma das categorias da maratona Reading About Reality, projeto dos canais do Youtube Sara Cristina e Gaming Readers, da Sara Cristina e da Alexandra Pedro, respetivamente.
Li em parceria com a Dora Santos Marques, do canal Books and Movies, para o desafio de ler um livro que demonstrasse a diferença de direitos humanos.

Esta é uma história da 2ª Guerra Mundial e vai contar o percurso de duas irmãs, muito diferentes entre si e do modo como elas sobreviveram na França ocupada por Hitler. 
Viane e Isabelle Rossignol (Rouxinol em francês) são órfãs de mãe desde muito pequenas, e de pai vivo, uma vez que após a morte da mãe, o pai afastou-se - ficou incapaz de lidar com as meninas e deixou-as ao cargo de uma pessoa, na casa de família, enquanto ele foi para Paris. Após esta rejeição, cada uma delas arranjou as suas próprias estratégias para ultrapassá-la : Viane engravidou e casou cedo e Isabelle era a rebelde, fugindo de todos os colégios internos e escolas de freiras, para onde o pai a enviava.

Mas, tudo muda no dia em que Paris é ocupada por Hitler.
Isabelle está lá, na sequência de mais uma expulsão de outra escola e, por insistência do pai, decide seguir para Carriveau, no norte, onde está a irmã, para fugir ao que aí vinha.
Durante a viagem, Isabelle é bombardeada, espezinhada, passa fome e frio até conseguir, depois de muitos dias, chegar à casa da irmã, já completamente mudada. Ela quer fazer a diferença no mar de indiferença francês perante o invasor, pelo que ela não se irá contentar com um exílio calmo e dourado no campo, especialmente quando a casa de Viane é requisitada para alojar o Capitão Beck, oficial da Wehrmarcht.
Já Viane, sozinha, com a filha Sophie, uma vez que o marido está na frente de batalha, tenta sobreviver o melhor que pode e se adaptar àquela vivência  cada vez mais cheia de regras, mais constrita. Tenta levar um dia de cada vez.

Vemos os relatos das filas para alimentos, do frio que passam as populações privadas do mínimo essencial, da impotência perante um conquistador brutal, sempre pronto a todas as baixezas para quebrar e humilhar. As descrições foram tão bem feitas, que a sensação dominante ao ler este livro, foi o frio. Foi poderosa a maneira como a autora me fez sentir o frio. Também uma sensação de medo, melancolia e depressão generalizada.
A escrita é fluída e sem quebras de interesse - não há momentos mortos na narrativa. Temos sempre interesse e vontade de ler o que se segue, nesta história emocionante e emocional ao mesmo tempo.
Não tenho vergonha de dizer que chorei e fiquei doente com algumas situações que li - não porque fossem novidade para mim, mas impressiona-me sempre a baixeza a que o ser humano pode chegar, se lhe derem as armas para tal.

A impressão geral com que fiquei foi de realidade. Embora seja uma história ficcionada, vejo como pode perfeitamente ter acontecido na realidade, pois as situações descritas são muito verosímeis.
Apesar de focar o Holocausto de um ângulo diferente, não deixa por isso de ser essencial ser lido, além de ter sido uma leitura viciante e emotiva. Fiquei agradavelmente surpreendida.

Kisses da vossa Geek

#readingaboutreality    #hol72

domingo, 12 de fevereiro de 2017




Video de Wrap up do projeto Historiquices de Janeiro


Pois bem meus geeks, estreei-me em vídeo, no Youtube, pois penso ser mais orgânico falar sobre o que vi e o que li sobre as personagens históricas abordadas.

Link do vídeo aqui

Kisses da vossa Geek

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Oscares - prémios justos ou muito PC?


Em mês de entrega dos prémios da academia, vejo por todo o lado - fóruns, páginas e chats a mesma discussão: a nomeação do filme X em detrimento do Y ou do actor A em vez do B, bem melhor. E ninguém chega a acordo do porquê a academia nomear uns e claramente deixar outros de fora.
É lógico que tudo isto é subjectivo, uma vez que são coisas sujeitas a gosto pessoal, portanto não havendo nem certos nem errados - apenas gostos diferentes.
Mas qual é o processo pelo qual a Academia chega aos nomeados? Aí é que bate o mistério, pois se há nomeações geral e quase unânimemente bem aceites, outras há que vão contra a opinião do público, parecendo ser nomeações que eu chamo de "intelectuais" - mais ninguém gostou, apenas o crítico que lá pôs o nome do actor/actriz ou o título do filme.

É nesta altura que sempre vem à baila que a Academia está a ser politicamente correta. Aliás, quando não se entende as nomeações é logo essa definição que é utilizada. 
Confesso que, por vezes, também acho isso. Vê-se um esforço de Hollywood em criar tendências, em ser justo, igualitário, fraterno - um nadita como a Revolução Francesa! - mas, que deixa quem não concorda, com a sensação de que houve jogada de bastidores. E claro que há sempre, pois os estúdios ainda dão cartas e influenciam sempre as decisões. Um filme, nem que seja só nomeado para um Óscar, é garantia de dinheiro em caixa, portanto há que recorrer a todas as influências para que se possa chegar aos poucos nomeados.

Já falei em cima na questão de que a Academia tenta mudar a sociedade, impondo tendências através dos seus filmes vencedores da cobiçada estatueta. Não foi há muito tempo que a Academia recebeu a dura critica de ser "muito branca" e desde esse altura, os actores afro-americanos têm sempre um destaque nas nomeações, quer achemos que são merecidas ou não.  

Isto comprova a necessidade que há em que não apenas sejam nomeados os merecedores, como também que haja uma clara propensão para nomear os pertencentes à causa advogada no momento. Quer tenham tido papéis ou filmes dignos dessa grande honra.

Na minha opinião pessoal, exemplos de politicamente correcto ou de Óscar de consolação foi o vencedor do prémio para o melhor actor principal do ano de 2016. Leonardo Di Caprio teve um papel muito exigente n´O Renascido, mas considero de menor complexidade em relação a outros nomeadamente n´O Aviador, Shutter Island ou Inception. Possívelmente, se tivesse ganho num dos outros anos, não seria tão gritante esta decisão.

Na edição deste ano, um filme que considerei um dos melhores, quase nem foi mencionado - passou totalmente ao lado dos nomeados - e sem razão que se consiga apontar. Mas lá está - a Academia decidiu, está decidido.

Como este exemplo que dei, muitos outros aconteceram, também pela razão da quantidade de filmes produzidos num ano. 
Segundo um estudo que li, neste momento o número de estreias que ocorrem num único fim-de-semana, nos Estados Unidos, equivale a 1 ano de estreias nos anos 40/50. Portanto, em razão disso, há-de haver sempre aqueles que passam por "debaixo do pano" sem serem notados, apenas por quem os viu.


Por isso cada vez prefiro mais os prémios europeus. Por terem filmes de excelência, que têm o devido destaque e não uma quase menção honrosa no Grauman´s Chinese Theater. 

Kisses da vossa Geek

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Wrap up Janeiro #historiquices

Inês de Castro

Adorei ler mais um livro sobre esta apaixonante história de amor e ficar a conhecer pormenores, que não me foram transmitidos pelas aulas de história.
Fiquei a perceber melhor o porquê de o Rei Afonso IV ter tomado a decisão extrema que tomou. Além de perigo político  - real ou imaginário - havia também uma certa quezília pessoal. Inês tinha sido criada por um filho natural (diga-se bastardo) de D. Dinis, e um que o rei preferia tanto, que chegou a fazê-lo mordomo do Reino, um alto cargo que seu filho Afonso viu como ameaça á sua herança.
Inês é uma fidalga de pleno direito, apesar de ser filha ilegítima de D. Pedro Castro, sendo ela neta do Rei de Castela, tal como o seu apaixonado Pedro.
Pedro, que sempre respeitou sua mulher Constança, mas apaixonou-se pela "bela Inês" com o seu colo de garça. Ficou sériamente afetado, como seria de esperar, com a ação de seu pai e resolveu punir a quem a matou e ao mesmo tempo,  fazê-la coroar rainha depois de morta.

Fiquei surpreendida com a escrita da autora, que é cuidada, muito à época e que, ao mesmo tempo, nos envolve na trama.
Dá um background de cada um deles e da sua infância, até ao momento em que se conhecem. Pode-se dizer que há uma 1ª parte e uma 2ª parte.
A 1ª parte é muito mais factual, enquanto fala da infância de Inês, de Pedro e da D. Constança, a partir do momento em que Inês vai para o serviço dela. Fala muito de linhagens, terras, fortificações e toda uma parte da história de Castela, Aragão e Portugal.
Gostei imenso e aí fiquei completamente imersa na história que, ao fim e ao cabo, não é novidade nenhuma e tem um desfecho previsível.
Mas a capacidade da autora de nos entregar a informação relevante, a maneira de nos contar um evento que já sabemos, de uma maneira que parece nova, revela a sua mestria.
Fiquei uma fã e irei certamente ler mais livros desta autora.

Como já tinha visto quer a série quer o filme, decidi ver o documentário do meu saudoso Prof. José Hermano Saraiva. Este senhor tinha uma maneira de contar as "estórias da História", que ainda não encontrei igual.
Aqui, neste documentário bastante curto, dá-nos as razões porque Inês "teve" que morrer. Explica a par e passo todas as intrigas palacianas em redor desta morte, que, na minha opinião, foi lamentável. E ainda introduziu uma teoria, que me fez ficar a pensar onde a conseguir encaixar. Gosto imenso de teorizar sobre eventos passados e o Prof deu-me matéria para isso.

Neste momento, quero agradecer a todas as pessoas que aceitaram o meu desafio e que estão a participar neste projeto que se quer diverso, mas com um foco: histórias de grandes mulheres.
O meu muito obrigada e bem-haja


Kisses da vossa Geek



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

As Minhas Fitas #2

"Um Caso Real" ( A Royal Affair)


Este filme de 2012, uma co-produção entre Alemanha, Dinamarca, Suécia e Republica Checa, conta a historia real da rainha Caroline Mathilde da Dinamarca. Ela era uma princesa inglesa que foi casar com o Rei Christian VII, claramente com perturbações mentais. 
À sua madrasta, Julianne, convinha que ele não se comportasse como um rei, pois queria pôr o seu meio-irmão no trono, ficando ela como regente. Christian é um fantoche na mão do seu conselho privado.

Caroline parte com ilusões de amor e de um marido compreensivo, mas a realidade choca com o que ela pensava que iria ser a sua vida de casada. Apesar de ser um casamento arranjado, onde o amor não é para aqui chamado, ela construiu uma imagem a partir do que os conselheiros de Christian disseram aos seus pais, aquando do noivado e respetivo contrato de casamento. Ela vê-se num país estranho, com gente estranha e não muito amigável e o  que é pior - o seu marido é dado a explosões temperamentais repentinas,  prostitutas, álcool e devassidão no geral. Ela prepara-se para sofrer em silêncio - ou tão silenciosamente quanto possível - com o seu primogénito Fredrik.


Eis que o jogo se altera com a entrada em cena do Dr. Johann Struensee, um médico avançado para a sua época, que conseguiu compreender o que Christian precisava e conseguiu estabilizá-lo.


Mas, ele é um homem do Iluminismo, numa altura em que ser Iluminista queria dizer ideias progressivas, normalmente relacionadas com uma certa agitação política (que mais tarde, iria conduzir à Revolução Francesa) mas, que quando o filme começa ainda são só tidas por ideias subversivas. Ele tem livros proibidos, que começa a emprestar à  rainha. Ela, a principio desconfiada e nada apostada em dar confiança àquela personagem, acaba por amolecer, mais por causa da sua solidão, e ao compreender o tipo de poder que aquele homem tem sobre o seu marido.


Então, ela e Struensee, começam a industriar Christian para que, a coberto do que ele pensa ser por sua iniciativa, ele comece a implementar as mudanças políticas e sociais de que o país necessita desesperadamente.
E no meio desse processo, eles apaixonam-se. Vai ter consequências nefastas para todos, mas penso que o final foi redentor. É um filme onde se vê muito bem os meandros do poder, pela parte de quem o exerce e por quem o quer vir a exercer.


Com interpretações fantásticas de Alicia Vikander e de Mads Mikkelsen, este filme europeu tem toda a qualidade e sensação "europeias" - excelência nos  diálogos e atuações fabulosas onde mais do que o bom aspeto dos atores, conta a sua capacidade de "vestir" a personagem e levá-la mais além. Sentimos tudo: as humilhações de Caroline, as incertezas, a solidão, mais tarde a paixão, a sensação de poder e depois de perda.
Um pedaço interessante de trivia: Alicia Vikander teve que aprender dinamarquês e todo o filme foi rodado desta língua, apesar da língua que a corte usava nesta altura seria o alemão. O dinamarquês era considerado a língua do povo.


E vocês - já viram? Digam-me tudo.


Kisses da vossa Geek